Conheça melhor quem são as mulheres encarceradas e saiba mais, a partir dos dados, sobre como o Judiciário prende. A realidade pode ser diferente. Mais de 50% das mulheres presas se encontram em prisão preventiva na Bolívia, em Honduras, na Islândia, no Mali, na Nova Zelândia, no Paraguai, no Senegal e na Tunísia. As violações sistemáticas dos direitos humanos, em especial das mulheres encarceradas, revelam não apenas a ineficácia do sistema, mas também sua crueldade e desumanidade.

Segundo o Sisdepen, painel de dados sobre o sistema penitenciário, 26% das mulheres presas no Brasil não recebem visitas na cadeia. E, para especialistas, a justificativa é multifatorial. A taxa de ocupação no sistema prisional brasileiro, em relação às mulheres, é de 156,7%, conforme registrado em Junho de 2016, o que significa dizer que em um espaço destinado a 10 mulheres, encontram-se custodiadas 16 mulheres no sistema prisional. Nos últimos anos, a taxa de encarceramento feminino aumentou consideravelmente no Brasil. Até 2021, segundo Borges (2021), o país possuía a quinta maior população de mulheres encarceradas do mundo. Dessas, 67% são mulheres negras. Número que não pode ser ignorado.

Na semana do Dia das Mulheres, o g1 publica a série especial "Dia de visita: a solidão da mulher no cárcere", que aborda as diferentes relações e desafios que elas enfrentam diante o sistema prisional. Ao longo da semana, a série vai mostrar: TODOS OS DIAS, cerca de 12 mil mulheres privadas de liberdade trabalham no sistema prisional brasileiro, para entidades públicas e privadas, sem direitos trabalhistas básicos. Algumas cumprem escala de 44 horas semanais, outras são cobradas por produtividade, mas nenhuma tem contrato de trabalho Diferente dos homens, quase toda mulher condenada à prisão recebe uma pena dupla: a do crime cometido e a da solidão. Enquanto as filas nas cadeias masculinas em dias de visita se estendem por quilômetros, as mulheres presas recebem — apenas e quando muito — a presença da mãe.

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Mulheres encarceradas | Penitenciária Feminina do Distrito F… | Flickr
Mulheres encarceradas | Penitenciária Feminina do Distrito F… | Flickr

A invisibilidade das mulheres presas é evidente. No entanto, ao deixar a prisão, as mulheres egressas do sistema prisional se tornam ainda mais invisíveis. O principal objetivo deste artigo é realizar uma reflexão sobre a forma através da qual o Estado Brasileiro aborda a questão da criminalidade feminina. Para isso, realizou-se uma apresentação das principais teorias que abordam o crime entre as mulheres, um breve histórico das prisões femininas no Brasil e um estudo de caso do pavilhão feminino da Penitenciária Professor Ariosvaldo O Relatório #MulhereSemPrisao: desafios e possibilidades para reduzir a prisão provisória de mulheres é uma pesquisa realizada pelo programa Justiça Sem Muros que tem como objetivo fortalecer ações que possam concretizar a redução do aprisionamento de mulheres.