O termo "mito" faz alusão a uma fabulação ou fantasia. Então, o mito da democracia racial no Brasil está fundamentado em uma falsa ideia de miscigenação e integração racial tomada como indício inequívoco de harmonia e igualdade entre as diferentes etnias. Engendrou-se, assim, um dos grandes mitos de nossos tempos: o mito da "democracia racial brasileira". Admita-se, de passagem, que esse mito não nasceu de um momento para outro. O preconceito está arraigado na sociedade em larga escala. Portanto, a verdadeira democracia racial é uma meta que ainda está longe de ser atingida e por enquanto é um mito que tenta criar uma imagem positiva da sociedade, que não coincide com os fatos documentados.

Em 1964, no contexto do rompimento da democracia brasileira justamente em nome da preservação dos valores e ideais democráticos, estava finalmente madura a idéia de que a "democracia racial", mais que um ideal, era um mito — um mito racial, para usarmos as palavras de Freyre. O mito da democracia racial é uma ideologia bastante antiga, mas ainda persistente no discurso de muitos brasileiros, mesmo sem perceber. Atualmente, ela é mais criticada graças aos avanços dos movimentos negros e dos estudos sobre relações étnico-raciais no Brasil. Analisa a origem histórica do mito da democracia racial, enfatizando seu uso político desde o século XIX. Além disso, ressalta a continuidade da violência policial e da negação do racismo mesmo após o período da ditadura.

158 O mito da democracia racial: contexto histórico brasileiro e a construção do racismo no B rasil Methodologies for t eaching-learning in th e Natural Sciences in A noção de democracia racial tem sido central nos debates sobre raça e racismo no Brasil há quase um século. Inicialmente apresentada como um elemento definidor das relações raciais brasileiras, retratadas como pacíficas e harmoniosas, a ideia foi elevada ao status de referência global. No entanto, desde pelo menos os anos 1960, ela vem sendo denunciada como um mito. A denúncia O mito da democracia racial tem sua justificativa no fato de os setores dominantes, originários da aristocracia rural, não estarem acostumados a lidar com movimentos sociais autônomos. Veem a pax social como algo monolítico. Portanto, não podem permitir nenhuma "rachadura" no todo social.

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Plano de aula - 9º ano - O mito da democracia racial no Brasil
Plano de aula - 9º ano - O mito da democracia racial no Brasil

Gilberto Freyre e o mito da democracia racial "Freyre foi um dos responsáveis pelo estudo antropológico das práticas culturais afro- brasileiras na matriz da identidade nacional emergente. Este intelectual criou os primeiros centros e institutos de estudo afro-brasileiros na década de 1940. No Brasil o mito de democracia racial bloqueou durante muitos anos o debate nacional sobre as políticas de "ação afirmativa" e paralelamente o mito do sincretismo cultural ou da cultura mestiça (nacional) atrasou também o debate nacional sobre a implantação do multiculturalismo no sistema educacional brasileiro (MUNANGA, 2004, p. 11). Interessa-nos recuperar essa discussão com o objetivo de explicitar a importância do mito da democracia racial para a elite brasileira e refletir sobre os impasses que os movimentos negros encontram para empreender a luta antirracista no Brasil, no período atual.